Mestre e discípulo caminham pelos desertos da Arábia. O Mestre aproveita cada momento da viagem para ensinar ao discípulo sobre a fé.
- Confie suas coisas a Deus – dizia.
- Porque Ele jamais abandona seus filhos.
De noite, ao acamparem, o Mestre pediu que o discípulo amarrasse os cavalos numa rocha próxima. O discípulo foi até a rocha, mas se lembrou do que aprendera durante aquela tarde.
“O Mestre deve estar me testando. Na verdade, devo confiar os cavalos a Deus”. E deixou os cavalos soltos.
De manhã, descobriu que os animais haviam fugido. Revoltado, procurou o Mestre.
- O senhor não entende nada sobre Deus! Ontem aprendi que devia confiar cegamente na Providência, entreguei a Ele a guarda dos cavalos, e os animais desapareceram!
Deus queria cuidar dos cavalos – respondeu o Mestre.
- Mas, naquele momento, Ele precisava de suas mãos para amarrá-los, e você não as emprestou.
"Paulo Coelho"
Ao ler isto pela manha, fez com que acordasse de um turbilhão interno. Culpamos Deus pelas coisas que nos acontecem mas o grande culpado de as mesmas acontecerem ou não somos Nós próprios.
Por muito seja a tentação de ajudar a velhinha a atravessar a passadeira, ela primeiro terá de pedir isso para que depois nós possamos ajudar.
Cada um de nós tem vários Desafios na sua vida: o Nascer, o Crescer, o Ser, a Familia, o Trabalho, os Amigos... e por mais que tenhamos ajuda externa, o primeiro passo começa dentro de nós. E não adianta culpar o Outro... Tenho de ser Humilde suficiente e Aceitar como os outros são e deixá-los descobrir os seus Desafios e ajudar somente quando nos é solicitado.
A Dor é grande, quando queremos ajudar e isso se vira contra Nós.
O primeiro passo é olhar para Nós, descobrir os nossos Desafios e ir à luta, sem culpar ninguém pelas nossas percas, frustações... e ao mesmo tempo ter a Humidade de pedir ajuda quando sentimos que necessitamos do outro (a) que está ao nosso lado.
Não é fácil, mas um dia de cada vez e viveremos mais Felizes e Realizados .
Deixo a Oração da Serenidade, que está adequada ao momento e ao dia...
Concedei-nos Senhor a SERENIDADE necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar.
CORAGEM para modificar aquelas que podemos.
SABEDORIA para distinguir umas das outras.
Ao mesmo tempo...
SÓ POR HOJE - procurarei viver apenas o dia que passa, sem tentar resolver ao mesmo tempo todos os problemas da minha vida. Durante vinte e quatro horas apenas, poderei fazer alguma coisa que me encheria de pavor se eu pensasse que tinha de a fazer pelo resto da minha vida.
SÓ POR HOJE - sentir-me-ei feliz. Farei verdadeira aquela frase de Abraham Lincoln: - "A maior parte das pessoas é tão feliz quanto resolve ser".
SÓ POR HOJE - procurarei fortalecer a minha inteligência. Aprenderei alguma coisa de útil. Vou ler alguma coisa que exija esforço, pensamento e concentração.
SÓ POR HOJE - procurarei adaptar-me aos factos, em vez de procurar adaptar tudo o que existe aos meus próprios desejos.
SÓ POR HOJE - exercitarei a minha alma de três maneiras: - Procurarei fazer um benefício a alguém, sem o contar a quem quer que seja. Farei, pelo menos, duas coisas que hoje não me apetece fazer, só por exercício. E se alguma coisa me magoar, não o revelarei a ninguém.
SÓ POR HOJE - procurarei mostrar melhor aparência: - vestir-me-ei bem, falarei baixo, agirei delicadamente, não farei críticas e não tentarei corrigir, nem dar ordens a ninguém a não ser a mim mesmo.
SÓ POR HOJE - estabelecerei um programa de acção. É possível que não o siga à risca, mas tentarei. Vou evitar duas pragas: - a pressa e a indecisão.
SÓ POR HOJE - dedicarei uma meia hora a mim mesmo para meditação e repouso. Durante essa meia hora vou procurar ter uma melhor perspectiva da minha vida.
SÓ POR HOJE - não terei medo. Especialmente, não hei-de ter medo de apreciar a beleza e de acreditar que aquilo que eu der ao mundo, o mundo me devolverá.
in folheto dos anos oitenta
dos "Alcoólicos Anónimos"